Crediário próprio na loja: como vender a prazo sem perder dinheiro
O crediário da loja vende mais, mas a parcela que não volta come o lucro. Veja como dar limite, pedir entrada, cobrar sem constranger e quando suspender.
Equipe CNOTASpublicado em 7 min de leitura

O crediário próprio vende mais e traz o cliente de volta todo mês para pagar a parcela. Mas só dá lucro com três cuidados: um limite por cliente sobre tudo o que ele deve, uma entrada nas compras de risco e uma cobrança no dia, com regra clara de quando suspender. Sem isso, a parcela que não volta leva o custo da peça e o lucro de várias outras vendas.
Por que o crediário próprio ainda vende
Na loja de roupas e calçados, muita gente compra no carnê porque não tem cartão, porque o limite do cartão já está tomado ou porque prefere pagar na loja. Para a loja, o crediário tem vantagens reais:
- Vende para quem não venderia. A cliente que só leva se for a prazo.
- A parcela paga em dinheiro ou Pix entra inteira. Sem a taxa da maquininha.
- Traz a cliente de volta. Quem vem pagar a parcela vê a vitrine nova e, muitas vezes, compra de novo.
O outro lado: no crediário, quem empresta o dinheiro é a loja. E quem empresta precisa saber para quem.
Quanto custa uma parcela que não volta
Pense numa venda de R$ 300 em três vezes. A loja pagou R$ 150 pelas peças. Se a cliente para de pagar logo depois da primeira parcela, a loja recebeu R$ 100 e entregou R$ 150 de mercadoria. Perdeu R$ 50 de dinheiro e todo o lucro da venda.
Se ela não paga nada, a perda é de R$ 150 de custo. Numa loja que fica, no fim do mês, com 14% do que vende (veja a conta em como saber se a loja está dando lucro), cada venda de R$ 300 deixa R$ 42 de lucro. Para repor os R$ 150 perdidos, a loja precisa de quase quatro vendas iguais, pagas em dia.
Por isso o crediário não se mede pelo quanto vende, e sim pelo quanto volta.
O limite por cliente
O limite é a regra mais importante. E ele precisa valer para o total que o cliente deve, não para cada compra.
Veja a diferença. A cliente tem limite de R$ 500. Compra R$ 400 em três vezes. Um mês depois, ainda deve R$ 267. Se o limite fosse por compra, ela poderia levar mais R$ 500 hoje e passar a dever R$ 767. Com o limite sobre o total, cabem só R$ 233.
Como definir o valor:
- Comece baixo. Para cliente novo, um limite perto do valor de uma compra comum da loja.
- Suba com o histórico. Pagou as três primeiras parcelas em dia? Aumente.
- Anote o porquê. "Paga sempre em dia, cliente desde 2022." Quando o gerente perguntar, a resposta está escrita.
- Deixe a decisão com uma pessoa só, o dono ou o gerente. O vendedor cadastra a cliente; quem decide o limite é outra pessoa. Assim, ninguém libera crédito para fechar a venda do dia.
A entrada
A entrada protege a loja de duas formas: reduz o valor que fica em risco e mostra que a cliente tem compromisso com a compra.
Na venda de R$ 300, uma entrada de R$ 100 e mais duas parcelas de R$ 100 faz a loja receber, no dia, dois terços do custo das peças. Se a cliente sumir, a perda é de R$ 50, e não de R$ 150.
Boas situações para pedir entrada:
- Cliente novo, sem histórico na loja.
- Compra maior que o normal para aquela cliente.
- Cliente que já atrasou e voltou a comprar.
Parcelas que cabem no bolso
Parcelar demais é pedir para atrasar. Uma calça de R$ 180 em seis vezes de R$ 30 parece leve, mas a cliente ainda estará pagando a calça quando ela já tiver desbotado. Prefira prazos curtos (duas, três ou quatro vezes) e vencimentos perto do dia em que a cliente recebe o salário. Se ela recebe no dia 5, uma parcela no dia 10 tem muito mais chance de ser paga do que uma no dia 28.
A cobrança
Cobrar é parte do crediário, não um constrangimento. A cliente que paga em dia é justamente a que a loja quer manter, e a que atrasa costuma pagar primeiro quem cobra primeiro.
Uma rotina simples:
- Todo dia, olhe quem venceu ontem. Atraso de dois dias se resolve com uma mensagem. Atraso de dois meses vira briga.
- Mande uma mensagem educada e direta: o valor, a data e como pagar.
- Registre o pagamento na hora, até o parcial. Se a cliente pagou R$ 50 de uma parcela de R$ 100, o saldo de R$ 50 continua aberto e visível.
- Juros e multa, se a loja cobra, avise antes, na hora da venda. Surpresa na hora de pagar afasta a cliente boa.
Quando suspender
Defina a regra antes do problema e siga sempre. Por exemplo: duas parcelas atrasadas ou 30 dias de atraso, o crediário fica suspenso até a cliente acertar. Com a regra escrita, ninguém precisa decidir na frente da cliente, e ninguém abre exceção para a amiga.
Suspender não é cortar a cliente. Ela continua comprando à vista, no Pix ou no cartão, e volta ao crediário quando colocar as contas em dia. E se ela também leva peças em condicional, vale olhar as duas coisas juntas: veja como controlar a condicional sem perder peças.
Como o CNOTAS cuida do crediário
No CNOTAS, o crediário é liberado no cadastro do cliente, com um limite de crédito. Esse limite vale para o total em aberto: na venda, o sistema soma o que o cliente já deve com a compra nova e, se passar do limite, o crediário não fecha. Cada mudança de limite fica no Histórico do crédito, com quem mudou, quando e o motivo escrito. E mexer no crédito do cliente pede uma permissão própria no nível de acesso: sem ela, o sistema pede a senha de quem pode liberar.
Na venda no crediário, dá para lançar a entrada em dinheiro, Pix ou cartão e deixar no crediário só o que falta. O prazo de pagamento define quantas parcelas e com quantos dias. Cada parcela vira uma conta a receber no nome do cliente. Se a cliente devolver uma peça daquela venda, o valor pode abater o crediário em aberto dela.
Para cobrar, as contas a receber mostram os atrasados em vermelho, com os dias de atraso, e aceitam o recebimento de só uma parte. Na tela Início, o quadro Clientes em atraso lista quem tem parcela vencida, com o botão Cobrar, que abre o WhatsApp com o telefone do cadastro. Os juros e a multa de atraso só são cobrados se a loja ligar, e vale a regra do dia da venda.
Para suspender, é só bloquear o crediário no cadastro do cliente. As parcelas que ele já deve continuam em contas a receber. A condicional tem uma trava parecida: quem está com a devolução atrasada não leva mais peças sem a liberação de alguém autorizado (veja condicional vencida e limite).
O crediário é parte do dia a dia de muitas lojas de moda. Veja como o sistema para loja de roupas do CNOTAS junta crediário, condicional e grade de tamanhos no mesmo lugar.
Como o CNOTAS ajuda
O CNOTAS é o sistema de gestão com PDV, estoque, crediário, financeiro e emissor de NF-e e NFC-e, no navegador e no celular. Veja como fazer isso nele, passo a passo:
- Como vender no crediário (fiado)Venda a prazo no PDV do CNOTAS para o cliente com crediário liberado. Escolha o prazo, confira as parcelas e veja as contas a receber, os juros e a multa.
- Como liberar crediário e condicional para um clienteLibere o crediário com limite de crédito e a condicional com limite em valor e prazo próprio no cadastro do cliente. Veja o histórico e como suspender.
- Como ver e receber as contas dos clientesVeja em Financeiro › Contas a receber o que cada cliente deve, os atrasados e os juros de hoje, e registre o recebimento inteiro ou só uma parte.
- O que fazer quando a condicional venceu ou passou do limiteA condicional vencida trava novos envios para o cliente até devolver, prorrogar ou alguém liberar por senha. Veja o limite em valor e como suspender o cliente.
- Como cobrar juros e multa de atrasoLigue os juros (% ao mês) e a multa de atraso das contas a receber em Configurações › Empresa, entenda a carência e o cálculo e dispense na hora de receber.
- O que aparece na tela InícioEntenda a tela Início do CNOTAS - vendido hoje e no mês, a receber, a pagar, últimas vendas, notas com problema, clientes em atraso e estoque baixo.
Sem cartão de crédito.
Perguntas frequentes
Vale a pena ter crediário próprio na loja?
Vale quando a loja controla o limite de cada cliente, cobra no dia e suspende quem atrasa. O crediário fideliza e vende para quem não tem cartão, mas cada parcela que não volta leva o custo da peça e o lucro de outras vendas.
Como definir o limite de crédito do cliente?
Comece baixo, perto do valor de uma compra comum na loja, e aumente aos poucos conforme o cliente paga em dia. O limite deve valer para o total que ele deve, e não para cada compra.
Quanto pedir de entrada no crediário?
Uma entrada que cubra pelo menos parte do custo da peça reduz a perda se o cliente não pagar o resto. Em compras maiores ou de cliente novo, a entrada é a melhor proteção da loja.
Quando suspender o crediário do cliente?
Defina uma regra e siga sempre, por exemplo suspender depois de duas parcelas atrasadas ou de 30 dias de atraso. O cliente volta a comprar a prazo depois de acertar o que deve.
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